Balança Comercial 04/2022

28 Abril 2022
/ Boletim de Balança Comercial e Rentabilidade das Exportações

EM FOCO

As exportações do primeiro trimestre de 2022 atingiram US$ 72,3 bilhões, registrando alta de quase 30%, em relação ao mesmo período de 2021. As importações, por sua vez, alcançaram US$ 60,5 bilhões, valor 27,1% acima do registrado no mesmo período do ano passado. Em consequência, a balança comercial apresentou saldo positivo de US$ 11,8 bilhões no período (Tabelas 1, 3 e 5).

As vendas ao exterior alcançaram US$ 29,0 bilhões em março, registrando alta de 19,5%, em relação ao mesmo mês de 2021 (Tabela 1). A elevação das exportações ocorreu em todas as classes de produtos. Os embarques dos bens Manufaturados em março, na comparação com o mesmo mês de 2021, alcançaram US$ 8,1 bilhões, o que representou elevação de 34,1% no período. Os envios de bens Semimanufaturados e de bens Básicos apresentaram, na mesma comparação, crescimento de 16,7% e 14,3%, respectivamente.

Em março, as importações totais somaram US$ 21,7 bilhões, registrando expressiva elevação (21,5%), na comparação com o mesmo mês do ano passado (Tabela 3). Ocorreram elevações nas importações de todas as grandes categorias de uso nesta comparação, com destaque para as elevações nos desembarques dos Combustíveis (62,5%), dos Bens intermediários (18,4%) e dos Bens de consumo não duráveis (18,2%).

No terceiro trimestre de 2022 as exportações para todos os principais parceiros (Tabela 2) apresentaram elevações. Destacam-se as elevações nas exportações para Singapura (188,7%), para a Espanha (105,7%) e para o Chile (61,5%). No ranking de principais parceiros comerciais a China liderou (27,4% do total exportado), seguida pela EU (14,8%) e pelos EUA (10,5%), como pode ser visto no Gráfico 1.

Gráfico 1. Principais destinos das exportações no acumulado de janeiro a março de 2022

Fonte: Elaborado pela Funcex a partir de dados da Secex/ME. Notas: *Vide o Apêndice Metolológico.

No que tange às importações, no primeiro trimestre de 2022 a China liderou o ranking de principais parceiros comerciais com 24,3% de participação, seguido pelos EUA (18,9%) e pela UE (16,4%) (Gráfico 2). No período em questão, o Brasil importou US$ 14,7 bilhões em mercadorias da China, US$ 11,4 bilhões dos Estados Unidos e US$ 9,9 bilhões em produtos da União Europeia, como pode ser visto na Tabela 4.

Gráfico 2. Principais  origens das importações no acumulado de janeiro a março de 2022

Fonte: Elaborado pela Funcex a partir de dados da Secex/ME. Notas: *Vide o Apêndice Metolológico.

Em fevereiro, como pode ser visto na Tabela 7, o Índice de rentabilidade das exportações registrou queda de 9,2%, na comparação com o mesmo mês de 2021. A valorização do câmbio (-4,1%) e o aumento dos custos de produção (20,6%) não foram totalmente compensados pelos efeitos positivos das elevações nos preços das exportações no período (14,1%), trazendo perdas de rentabilidade para o exportador.

No primeiro bimestre do ano, o Índice de rentabilidade apresentou variação negativa de 5,8%, na comparação com o mesmo período do ano passado. Esse declínio resultou do significativo crescimento do custo (21,6%) ocorrido nesse período, não contrabalançado pelo aumento dos preços das exportações (15,0%) (Tabela 7). O Gráfico 3 revela que o exportador vem perdendo rentabilidade nas exportações desde o último trimestre do ano passado. Na média móvel de três meses o indicador alcançou 111,3 pontos, uma queda de 7,6%, em relação ao maior patamar alcançado em 2021 na média móvel de três meses (120,4 pontos).

Gráfico 3. Evolução mensal do Índice de rentabilidades das exportações brasileiras.
Média móvel de três meses - base do índice dezembro de 2017 = 100

Fonte: Elaborado pela Funcex.

A Tabela 7 apresenta o Índice de rentabilidade das exportações segundo setores da CNAE 2.0. No primeiro bimestre de 2022, como pode ser observado, apenas oito dos vinte e nove setores da CNAE 2.0 acompanhados pela FUNCEX apresentaram elevação na rentabilidade exportadora, o que contemplou meramente 28% dos setores.  Apenas nesses casos os Índices de preços das exportações mais do que compensaram as elevações nos custos em conjunto com a pequena valorização nominal do Real frente ao Dólar (-0,4%). Vinte e um setores aprestaram declínios nas rentabilidades. Nos setores em questão as elevações nos custos no primeiro bimestre do ano foram elevadas e corroeram a rentabilidade do exportador juntamente com a desvalorização do Dólar frente ao Real.

No Gráfico 4 pode-se observar as variações dos custos dos exportadores no primeiro bimestre de 2022, em relação ao mesmo período de 2021. Os setores de Metalurgia, de Derivados de petróleo, biocombustíveis e coque, de Produtos químicos e de Máquinas e equipamentos apresentaram elevações superiores a 22,0% nos custos, no acumulado de janeiro e fevereiro, na comparação com o mesmo período de 2021. As elevações de 30,2% e 29,4% nos custos dos setores de Metalurgia e de Derivados de petróleo, biocombustíveis e coque foram puxadas, principalmente, pelos insumos importados que sofreram elevações de 78,4% e de 93,1%, na devida ordem. No caso dos setores de Produtos químicos e de Máquinas e equipamentos o quadro se repete, os insumos importados tiveram elevações de grande magnitude, a saber: 47,3% e 48,4%. Cabe ressaltar que na média os custos dos insumos importados sofreram elevação de 43%, enquanto os custos dos insumos nacionais se elevaram em média 20,7%, ao passo que os custos relacionados a Serviços e salários apresentaram elevação média nos setores da CNAE 2.0 de 8,3%, no primeiro semestre de 2022.

Com relação aos quatro setores supracitados, somente nos casos dos Derivados de petróleo, biocombustíveis e coque e de Produtos químicos as elevações de preços garantiram a rentabilidade das exportações (Tabela 7).

No primeiro bimestre de 2022 os setores de Extração de minerais metálicos, de Equipamentos de informática, de Outros equipamentos de transporte, exceto Veículos Automobilísticos e de Produtos do fumo apresentaram as maiores quedas na rentabilidade, (-37,5%, -18,0%, -16,9% e -13,0%, respectivamente). Nos quatro setores os ganhos de preços não compensaram os custos em exportar.

Gráfico 4. Índice de custo que compõe a Rentabilidade do exportador (Setores da CNAE 2.0). Variação em %, comparação de Jan-fev 2022 contra Jan-fev 2021

Fonte: Elaborado pela Funcex.

Informações disponíveis até 14/ 04/2022.

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