Balança Comercial 10/2020

8 Novembro 2020
/ Boletim de Balança Comercial e Rentabilidade das Exportações

O superávit comercial de US$ 6,16 bilhões em setembro foi 62% maior do que o do mesmo mês de 2019, e acumula no ano US$ 42,2 bilhões (Tabela 5). O saldo anual caminha para ser o segundo maior da história, atrás de 2017.

O aumento do déficit ocorreu a despeito da queda de 9,1% das exportações no mês ante o mesmo mês do ano passado (Tabela 1). Isso porque as importações tiveram redução bem mais acentuada, de 25,5% (Tabela 3). No acumulado janeiro-setembro, as exportações têm queda de 7,7% e as importações, de 14,4%. O comportamento negativo das exportações no mês deveu-se à retração das vendas de bens manufaturados (-32,5%), ao passo que houve crescimento nos básicos (3,5%) e nos semimanufaturados (15,2%).

No ano, os básicos crescem 3,4%, enquanto os manufaturados caem 26,5% e os semimanufaturados, 1,4%. O desempenho é negativo em quase todos os setores de atividade, com exceção de Agropecuária, Produtos alimentícios e Produtos têxteis. Entre os países e regiões de destino (Tabela 2), os números de setembro mostraram uma novidade: houve crescimento em relação ao mesmo mês de 2019 não apenas nas vendas para a China (15,1%), mas também para Argentina, Alemanha, Espanha, Oriente Médio e África.

Entre as importações, houve queda no mês em todas as categorias econômicas e também em quase todos os setores de atividade, com exceção de Outros equipamentos de transporte e Metalurgia. No acumulado do ano a queda também é generalizada, sendo mais forte em bens de consumo duráveis (-40,2%) e combustíveis (-36,6%). O comportamento das importações também foi negativo em todos os principais países e regiões de destino (Tabela 4), mas com quedas relativamente menores nas compras oriundas da China, que aumentou sua participação na pauta para 21,0%.

O índice de rentabilidade das exportações teve aumento de 2,0% na passagem de julho para agosto, impulsionado pela desvalorização de 3,4% do câmbio nominal e pelo aumento de 2,6% dos preços de exportação (Tabela 7). Em relação a agosto de 2019, contudo, o ganho de rentabilidade é modesto, de 2,8%, a despeito da forte desvalorização cambial no período. A explicação recai na queda dos preços de exportação (-11,3%) e também no aumento dos custos de produção (17,2%). A taxa de câmbio real referente à cesta de 14 moedas teve desvalorização de 4,2% entre julho e agosto, na taxa deflacionada pelo IPC (Tabela 8).

Já a taxa deflacionada pelo IPA foi no caminho inverso, com valorização de 0,3%, em função da elevada inflação dos preços no atacado, principalmente os de produtos agrícolas e alimentos.

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