Balança Comercial 8/2020

5 Setembro 2020
/ Boletim de Balança Comercial e Rentabilidade das Exportações

O saldo comercial em julho atingiu o recorde histórico de US$ 8 bilhões, acumulando no ano superávit de quase US$ 30 bilhões

O resultado positivo ocorreu em função da redução de 35,2% das importações em comparação ao mesmo mês de 2019. As exportações também caíram, mas a uma taxa bem menor: -2,9%. Nos primeiros sete meses do ano, as exportações têm queda de 6,7% e as importações, de 10,5%. O desempenho negativo das exportações no mês deveu-se aos bens manufaturados, que tiveram retração de 23,5%, acumulando no ano queda de 25,6% (Tabela 1). Os produtos básicos, ao contrário, tiveram crescimento de 7,8% no mês (e 5,3% no ano) e os semimanufaturados, alta de 6,0% no mês e queda de 4,4% no ano.

As exportações no mês foram, mais uma vez, sustentadas pelo crescimento da Agropecuária (17,2%, com destaque para a soja), de Produtos alimentícios (14,8%, principalmente as carnes) e de Petróleo e gás natural (16,4%). Quanto aos destinos (Tabela 2), em julho houve crescimento das exportações apenas para China (24,3%), Espanha (55,4%) e Coreia do Sul (11,9%), além dos países africanos (16,6%). Do lado das importações, a queda em julho foi generalizada entre as categorias econômicas e os setores de atividade (Tabela 3), refletindo a forte retração da atividade econômica experimentada nos últimos meses.

A retração foi mais forte nos combustíveis (-57,1%) e nos bens de consumo duráveis (-53,6%). A queda também foi generalizada entre os países e regiões de destino (Tabela 4). A China respondeu por 56% do superávit comercial do país em julho. No acumulado janeiro-julho, sua participação chega a 73%. A valorização de cerca de 8,0% do real em relação ao dólar na passagem de maio para junho levou a uma queda de 8,0% no índice de rentabilidade das exportações no período (Tabela 7).

Em relação a junho de 2019, a rentabilidade ainda acumula alta de 5,1%. A taxa de câmbio real relativa à cesta de 14 moedas teve valorização em junho de 8,1%, quando deflacionada pelo IPA, e de 6,9% quando deflacionada pelo IPC (Tabela 8). Em comparação a junho do ano passado, contudo, ainda há uma elevada desvalorização real da moeda brasileira. O câmbio real em relação ao dólar teve valorização no mês de 9,1%, deflacionado pelo IPA, e de 7,7%, deflacionado pelo IPC.

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