Boletim de Comércio Exterior 02/2021

9 Janeiro 2021
/ Boletim de Comércio Exterior

Nota ao Leitor

Os Valores exportado e importados são elaborados a partir de dados básicos da Secretaria de Comércio Exterior − Secex/ME, com valores dos produtos em dólares FOB correntes.

O Índice de Rentabilidade das Exportações é calculado pela multiplicação da taxa de câmbio nominal média do mês (R$/US$) pelo índice de preço de exportação (total ou de cada setor). O resultado é deflacionado pelo índice de custo de produção dos bens, medidos em reais. O índice de custo (total e setorial) é calculado a partir das variações dos preços dos insumos de procedência nacional, dos insumos importados, dos serviços e dos salários e encargos, com os respectivos pesos obtidos da matriz insumo-produto de 2005 do IBGE.

O Índice da Taxa de Câmbio Real é calculado com base na respectiva taxa de câmbio nominal média do mês (BACEN-Venda) corrigida de duas formas: (i) pela relação entre o correspondente índice de preços atacadista externo e o índice de preços atacadista doméstico (IPA-DI da FGV); (ii) pela relação entre o correspondente índice de preços ao consumidor externo e o índice de preços ao consumidor doméstico (IPC-DI da FGV). O índice da Taxa de Câmbio Efetiva Real é calculado com base nas taxas de câmbio reais dos países que compõem a respectiva cesta, ponderadas pela participação média de cada país na corrente de comércio (exportação e importação) do Brasil no triênio 2014/2016.

Em foco

A balança comercial teve déficit de US$ 1,1 bilhão em janeiro, mas com melhora em relação ao déficit de US$ 1,7 bilhão do mesmo mês do ano passado (Tabela 5). Assim, o saldo acumulado em 12 meses somou US$ 51,4 bilhões, um pouco acima do superávit registrado em 2020.

As exportações cresceram 2,2% na comparação com janeiro de 2020 (Tabela 1), com altas nos produtos básicos (8,0%) e semimanufaturados (4,4%), em especial minério de ferro (alta de 57,9%), milho, café e açúcar.

Os manufaturados voltaram a registrar queda (7,6%), porém mais modesta do que a observada ao longo do ano passado. Em 12 meses, as vendas destes produtos somaram US$ 60,4 bilhões, valor mais baixo desde 2005.

Entre os principais destinos (Tabela 2), houve altas das exportações para China (10,0%), Argentina (28,2%), Chile (38,2%), países do Oriente Médio (6,0%) e da África (14,3%).

As importações tiveram queda de 1,5% em janeiro (Tabela 3), com desempenho negativo em todas as categorias econômicas, exceto os bens intermediários, que cresceram 11,1%. Este número reflete a recuperação da produção industrial doméstica, que nos últimos meses de 2020 já havia superado os níveis de produção registrados no final de 2019.

Entre os produtos, destaca-se no mês o aumento das compras externas de Produtos alimentícios, Bebidas, Produtos químicos, Produtos de borracha e de material plástico, Produtos de minerais não-metálicos, Produtos metalúrgicos e Máquinas, aparelhos e materiais elétricos.

O índice de rentabilidade das exportações teve recuo de 5,2% na passagem de novembro para dezembro de 2020, basicamente em função da queda de 5,0% da cotação média do dólar. Em comparação a dezembro de 2019, a rentabilidade teve queda de 14,8%, muito prejudicada pela alta dos custos de produção no período (Tabela 7).

A taxa de câmbio real em relação à cesta de 14 moedas teve queda em dezembro tanto na taxa deflacionada pelo IPA (-3,5%) quanto na taxa deflacionada pelo IPC (4,5%), também refletindo a menor cotação do dólar no mês (Tabela 8).

Na comparação de dezembro de 2020 com o mesmo mês de 2019, porém, o desempenho é bem diferente entre a taxa deflacionada pelo IPA (-1,3%) e a deflacionada pelo IPC (+24,3%), por conta da inflação muito mais elevada dos preços no atacado.

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