Boletim de Comércio Exterior 06/2021

20 Julho 2021
/ Boletim de Comércio Exterior

Nota ao leitor

Os Índices de Preço e Quantum são elaborados a partir de dados básicos da Secretaria de Comércio Exterior − Secex/ME, com valores dos produtos em dólares FOB correntes. Enquanto os índices de preço são calculados segundo Fisher, o quantum é obtido implicitamente, pela deflação da variação do valor e do preço calculados no período. Como a variação anual dos preços medida pela comparação das médias anuais dos índices mensais difere daquela indicada pelo índice anual, faz necessário realizar um ajuste nos índices mensais para evitar essa duplicidade de resultados. Esse ajuste impõe que os índices mensais divulgados regularmente tenham que ser corrigidos no início de um novo ano, após o cálculo do índice anual, devendo ser divulgada então a série mensal revista do ano anterior. A metodologia detalhada pode ser encontrada nos Textos para Discussão da Funcex números 121, 133 e 134. Atualmente os índices utilizam a base 2018 = 100.

Os Índices de Termos de Troca, Preço e Quantum e Razão do Quantum são elaborados a partir dos índices de preço e de quantum, ajustando-se a base para média de 2018 = 100.

Revisão das Séries

A Funcex procedeu à revisão das séries dos índices de preço e quantum de exportações e importações, em função da revisão da metodologia de compilação de exportação e importação realizada pela Secretaria de Comércio Exterior (SECEX)[1]. Esta revisão alterou toda a série de dados mensais entre 1996 e 2020, exigindo que toda a série anual e mensal dos índices fosse recalculada.

A mudança que provocou maior impacto nas séries foi a exclusão das exportações e das importações fictas realizadas sob o abrigo do Repetro (Regime Aduaneiro Especial de Exportação e Importação de Bens Destinados às Atividades de Pesquisa e de Lavra das Jazidas de Petróleo e de Gás Natural). É nesse regime que se incluíam as exportações e importações de plataformas de petróleo, que significavam valores elevados em determinados períodos. Com sua exclusão, houve redução do quantum exportado e importado nos meses e anos em que houve tais operações, impactando os índices relacionados a bens de capital.

O novo cálculo foi feito utilizando-se exatamente a mesma metodologia adotada até agora. A única modificação foi a alteração do ano-base do índice, que passou a ser 2018=100.

Os gráficos apresentados ao final deste boletim, no Anexo 1, que comparam as novas séries anuais de preço e quantum com as séries antigas, mostram que as mudanças nos índices referentes ao total das exportações e das importações foram pouco significativas, ainda que não desprezíveis em alguns anos. Nas exportações, as diferenças entre a série nova e a antiga do índice de quantum variam entre 1,5% e 5% entre 2004 e 2019, com a nova sendo inferior à antiga. Há diferenças mais importantes na série referente aos bens manufaturados, onde se incluíam as exportações de plataformas de petróleo. O índice de quantum  de exportação de bens de capital, em especial, foi o mais afetado, tal que a série nova tem reduções anuais da ordem de 20% a 40% em relação à antiga.  Nas demais classes de produtos e categorias econômicas, as diferenças são muito pequenas.

Nas importações, as diferenças entre a série nova e a antiga de quantum são mais significativas nos anos de 2017 a 2019, ficando entre 3% e 6% no índice de quantum total e de quase 20% no índice referente aos bens de capital. Há diferenças importantes também nos bens intermediários (da ordem de 2% a 7% entre 2017 e 2020) e nos combustíveis, sendo que, neste caso, as diferenças surgem já nos primeiros anos, com a série nova ficando bem acima da antiga, padrão que se mantém ao longo de toda a série.

As séries referentes aos setores da CNAE 2.0 ainda estão em processo de revisão dada a necessidade de realizar ajustes na tabela de relação NCM x CNAE.

Em foco

crescimento expressivo dos índices de quantum das exportações e das importações, e um aumento muito forte dos preços de exportação. É importante lembrar que a base de comparação é baixa, seja no quantum, seja nos preços, pois em maio de 2020 o país (e o mundo) vivia um momento de retração econômica em função da pandemia.

O forte crescimento do valor das exportações em maio, na comparação com o mesmo do ano passado, deveu-se principalmente à alta de 39,1% dos preços (Tabela 1), embora o quantum também tenha tido crescimento expressivo (10,8%).

No acumulado do ano, o quantum exportado cresceu 7,7% e os preços, 20,0%.

O aumento do quantum em maio foi muito elevado nos bens manufaturados, de 43,4%, contando ainda com uma alta de 17,7% dos preços. Os básicos, por sua vez, registraram virtual estabilidade do quantum (alta de 0,5%) e aumento de 53,9% dos preços.

No acumulado do ano, os manufaturados também se destacam em termos de crescimento do quantum, com alta de 15,9%, puxada pelo ótimo desempenho as vendas de bens de consumo duráveis (63,8%) e de bens de capital (45,8%). Os produtos básicos tiveram desempenho mais modesto (+3,9%), assim como os semimanufaturados (6,7%).

O quantum de importação cresceu 43,2% em maio, na comparação com o mesmo mês de 2020, e acumula alta de 17,8% no ano. Os preços também tiveram alta, de 15,9% em maio e de 2,9% no acumulado janeiro-maio (Tabela 2).

A alta do quantum foi generalizada entre as categorias econômicas em maio, com destaque para os bens de consumo duráveis (130,7%). No acumulado do ano, há queda de 5,5% nas importações de bens de capital e alta expressiva nas demais categorias.

Os termos de troca subiram 0,8% na passagem de abril para maio e acumulam aumento de 20,7% na comparação com o maio de 2020 (Tabela 3).

A razão de quantum teve queda de 20,3% em maio e acumula no ano redução de 9,2%.

Informações disponíveis até 05/07/2021

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